Divididos por um idioma em comum…

Será que basta apenas falar inglês? ou devemos considerar para quem e com quem falamos? Será que só os nativos precisam nos entender? Leia mais no artigo abaixo:

 

Business English Speakers Can Still Be Divided by a Common Language

 

          Business is the most popular subject for international students in the United States. At least, twenty-one percent of foreign students at American colleges and universities were studying business and management.

 

          The Institute of International Education in New York says engineering is the second most popular field.

 

          Thomas Cossé is a professor of marketing and business at the University of Richmond in Virginia. He says international students who want to study business need to have good English skills — and not just to study at his school.

 

          THOMAS COSSÉ: "At least among business schools, more and more worldwide institutions are requiring that their students take English, and they are teaching more in English."

 

          But the world has more non-native speakers of English than native speakers. As a result, Americans working with foreign companies may need to learn some new English skills themselves.

 

          At the University of Richmond, teams of graduate students work with companies seeking to enter the American market.  The students learn about writing market entry studies. The reports are written in English. But Professor Cossé tells his students to consider who will read them.

 

          THOMAS COSSÉ: "My students have to write the report in such a way that it can be understood by someone who is an English speaker but not a native English speaker."

 

          For example, he tells his students to avoid jargon and other specialized terms that people might not know in their own language. This can be good advice even when writing for other native speakers.

 

          But effective communication involves more than just words. Kay Westerfield is director of the international business communication program at the University of Oregon.

 

          She says that cultural intelligence means the need to consider local behaviors in everything from simple handshakes to speaking to large groups. Also, the ability of local workers to speak English is becoming more important to companies looking to move operations to other countries.

 

          KAY WESTERFIELD: "While cost remains a major factor in decisions about where to off-source, the quality of the workforce is gaining importance, and this includes English language skills." Also, she says English skills often provide a competitive advantage for business students when they look for jobs.

 

Texto adaptado para propósitos pedagógicos. Pode ser visualizado na íntegra no link descrito pela fonte.

 

 Fonte: http://www.voanews.com/learningenglish/home/

 

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Como aumentar meu vocabulário?

      Simples. Da mesma forma que podemos aumentar o nosso vocabulário em português: lendo… O que ler, já depende de você. Se você gosta de futebol, leia coisas em inglês relacionadas a esse esporte.  Se a sua praia são os negócios, há centenas de sites apenas para isso. Fitness freak ? Tente buscar coisas nessa área. Se você gosta de saber da vida de celebridades, leia revistas especializadas nisso. O quê? Revistas de fofoca ajudam a aprender vocabulário? Ajudam sim, se você se interessa por isso.Afinal, é muito mais fácil e prazeroso ler aquilo que gostamos. Como aprendizes adultos, aprendemos apenas aquilo que é significativo e que faz sentido para nós. Quantos estrangeiros já não aprenderam o português com uma ajudinha de nossas novelas? Conheci alunos estrangeiros que liam sites de viagem em português. Tinham um excelente vocabulário nesta área, pois gostavam do assunto. Viam um sentido real naquilo que estavam lendo…

          Para quem gosta de literatura, há as edições simplificadas, de acordo com o nível do aluno. É um excelente começo. As grandes editoras especializadas em idiomas, como a Oxford, Cambridge e muitas outras têm excelentes séries. É só começar!!!

Algumas dicas:

          Os livros destas séries são feitos para quem está aprendendo inglês. Há vários títulos, dos mais clássicos aos modernos. Eles podem ser encontrados nas grandes distribuidoras, como Disal (www.disal.com.br), SBS (www.sbs.com.br) e em algumas livrarias, como a Livraria Cultura (www.livrariacultura.com.br) e a Fenac (www.fnac.com.br)

Oxford Bookworms Library

Penguin Readers

Heinemann Guided Readers

Cambridge English Readers

Sites de revistas e jornais:

www.washingtonpost.com

www.usatoday.com

www.time.com

www.onlinenewspapers.com

www.discovery.com

www.newscientist.com/home.ns

www.people.com

www.fitnessmagazine.com

www.menshealth.com

www.womenshealthmag.com

www.marieclaire.com

www.cosmopolitan.com

www.vanityfair.com

  Por Marianne Rampaso

E-learning

Ok, muitas pessoas já olham desconfiadas só ao escutar falar em e-learning. No entanto, já é hora de baixarmos nossas defesas e deixarmos possíveis preconceitos de lado: essa modalidade de ensino e aprendizagem é cada vez mais forte no Brasil e no mundo.

Há alguns anos, muita gente também desconfiaria da eficácia do e-mail na comunicação empresarial. E hoje? Como trabalharíamos sem ele, sem as ferramentas tecnológicas de comunicação?

Sem exageros, sabemos que a tecnologia é um caminho sem volta e sempre em expansão. Muitas empresas já utilizam o sistema de EAD (Educação a Distância) para a realização de cursos e treinamentos em áreas específicas. Por que não usar esta ferramenta a serviço da instrução acadêmica e de idiomas também?

Na maioria das vezes, quando vamos escolher um curso, pensamos em ir para esta ou aquela instituição. É ótimo quando temos a oportunidade de nos deslocarmos fisicamente, mas imaginem só o aluno que mora em uma região distante do país, sem muitos recursos disponíveis na área universitária? E o executivo que viaja a todo tempo? Não seria o ensino online uma boa alternativa para que essas pessoas concluam e continuem os seus estudos?

Pode até parecer mais fácil estudar “pela Internet”, mas não é bem assim. O aprendizado online exige muito esforço e dedicação do aluno; demanda disciplina e organização para regrar os estudos. A questão é ter o perfil correto para seguir esse tipo de orientação.

Quanto ao aprendizado de idiomas, o EAD é uma ótima alternativa para quem simplesmente não tem tempo de frequentar uma escola ou prefere uma atenção mais individualizada. O conteúdo e a qualidade da aula são os mesmos. As habilidades comunicativas (falar, ler, ouvir e escrever) são normalmente praticadas e desenvolvidas. E o melhor: o aluno é incentivado a assumir mais responsabilidade por seu aprendizado, uma vez que precisará entrar em sites para exercícios extras, prática de pronúncia e outras atividades. Além do mais, não há aquela desculpa de “praticar inglês só na aula e esquecer tudo uma semana depois”. As ferramentas estão lá, vinte e quatro horas por dia. Chat rooms, comunidades de pessoas que estão aprendendo inglês, redes sociais, websites e tantos outros meios também fazem parte do aprendizado. Basta querer!

Para saber mais:

Cursos universitários licenciados no sistema de EAD:veja o site do Ministério da Educação: http://siead.mec.gov.br

Cursos de idiomas online:

Aliança Cultural Brasil- Japão (japonês)

http://www.acbj.com.br

Instituto Goethe São Paulo (alemão)

www.goethe.de/saopaulo

Há mais mistérios no aprendizado do inglês do que sonha a nossa vã filosofia…

Tudo bem, Shakesperiano demais, nada a ver com vocês certo? Sorry, errado… Por que será que, em um dado momento de nosso aprendizado, parecemos cometer sempre os mesmos erros? Lembram-se de quando começaram a aprender o Simple Past? Era um tal de Did you went pra lá, I goed  to the movies yesterday pra cá…Depois de um certo tempo, esses deslizes sumiram. Por quê? Coincidência? Mania, vício…?

Nada disso. É apenas o seu cérebro funcionando no processo de aquisição linguística. Quando aprendemos uma língua estrangeira, sempre formulamos hipóteses sobre ela, usando de padrões existentes em nosso próprio idioma. Neste processo, surge – surpresa! – uma língua intermediária, entre o inglês o idioma materno do aluno. A esse fenômeno, damos o nome de Interlíngua ou Interlanguage. É um fenômeno normal, temporário e que tende a desaparecer conforme o aluno avança no aprendizado. O curioso é que muitos pesquisadores observaram esse fenômeno em crianças aprendendo o idioma materno.

 Assim, don’t push yourself so hard quando estiver aprendendo algo novo e cometer erros. Em muitos casos, é apenas o seu cérebro trabalhando com essa língua intermediária, em busca da aquisição do novo idioma.

  

Artigo baseado nos trabalhos de:

 BROWN, D.H. Principles Of Language Learning and Teaching. 3ª edição. New Jersey: Prentice Hall Regents, 1994.

Por Marianne Rampaso

Já passei da idade de aprender um idioma estrangeiro?

     Um assunto extremely controversial, que tem dado margem a muitas e muitas pesquisas na área da Linguística Moderna. 

     Pois é, a língua evolui e, junto a ela, seguem-se inúmeras investigações, o que mostra que já é hora de deixarmos certos mitos para o passado.

    Alguns autores, dentre eles Krashen (1988) defendem a ideia de que uma segunda língua só poderia ser aprendida com sucesso no período que compreende a infância até a puberdade. Seria mais ou menos, até os 13 anos. Hoje, isso já também já não seria muito válido, pois o início da puberdade, atualmente, é datado a partir dos 9 anos…

    No entanto, pesquisas foram feitas e percebeu-se que as pessoas após esta faixa etária também conseguiam aprender o idioma. A única diferença, ainda que ainda vem sendo investigada, é que talvez as crianças – mas não  todas, pudessem ter alguma vantagem em relação à aquisição da pronúncia similar à nativa, devido à natureza dos músculos do aparelho fonador. Mais uma vez, isso ainda é alvo de muitas pesquisas…

    Em relação ao aprendizado do adulto, temos duas considerações importantes a fazer. Se por um lado a criança – talvez – apresente um desenvolvimento biológico que favoreça a aquisição linguística, por outro o adulto conta com habilidades para lidar com problemas, diferenças individuais para o aprendizado de línguas e o mais importante: o aprendiz adulto conta com o conhecimento de sua própria língua materna, o que para nós, linguistas, é o conhecimento metalinguístico. Não se trata de decorar ou saber todas as conjunções,verbos ou whatever em português, mas sim de já ter passado pelo processo de escolarização e de aquisição de outros conhecimentos ainda não acessíveis às crianças.

    Além disso, como afirmam Lightbrow e Spada (2006), há que se pensar que as crianças geralmente não precisam lidar com a língua estrangeira nas mesmas situações enfrentadas pelos adultos. Ninguém jamais viu um aprendiz de dez anos conduzindo uma reunião de negócios em inglês ou participando de umaconference call…Também seria loucura querer que uma criança de cinco anos domine as conditionals, sendo que ela ainda é incapaz de compreender esta estrutura gramatical em sua própria língua…

    As pesquisas na área continuam, mas o mais importante mesmo é que o aprendiz adulto domine a língua para uma comunicação efetiva e clara, que possa usar o idioma como uma ferramenta para os efeitos de interação social, acadêmica ou profissional.

Para saber mais:

LIGHTBROWN, Patsy M.: SPADA, Nina.How languages are learned. Oxford University Press, 2006.

    Por Marianne Rampaso

Você sabe o que é o Common European Framework (CEFR)?

É um documento que tenta universalizar a descrição de desempenho linguístico dos aprendizes inglês. Em um dado nível, o aluno terá que ter certas competências, como entender pedidos simples, formular questões simples, etc. Não se fala em estruturas gramaticais, mas sim no uso social do idioma, o que o aluno, em certo nível, é capaz de fazer com ele. É importante ressaltar que várias universidades, organismos internacionais, empresas, e, é claro- escolas de inglês adotaram a padronização dada pelo CEF a fim de avaliar o nível linguístico de alunos e funcionários. A troca de nomes dos níveis é proibida, mas é permitido que se adapte a correspondência deles com os níveis, como básico, pré-intermediário, intermediário, pós-intermediário, avançado, proficiente.

 Veja a descrição abaixo:

A – Basic User (Usuário Básico)

A.1 – Breakthrough

Neste estágio, você é capaz de:

  • Apresentar-se e fazer o mesmo com outras pessoas.
  • Fazer e responder a perguntas pessoais simples, como: onde mora, o que faz, o que gosta.

A.2 – Waystage

Neste estágio, você é capaz de:

  • Dar informações pessoais básicas sobre a sua família, seu trabalho, estudo.
  • Fazer compras.
  • Trocar informações diretas sobre assuntos rotineiros conhecidos.
  • Falar, de forma simples, de sua formação profissional e educacional.
  • Falar da sua cidade, empresa, país, de forma simples.

B – Independent User- ( Usuário Independente)

B.1- Threshold

Neste estágio, você é capaz de:

  • Lidar com situações de viagem em um país estrangeiro.
  • Escrever textos simples de assuntos conhecidos e de seu interesse.
  • Descrever experiências, ambições, situações.
  • Justificar, de forma simples, as suas opiniões.

B.2 – Vantage

Neste estágio, você é capaz de:

  • Compreender aspectos concretos e abstratos de um texto, mesmo que sejam assuntos técnicos em sua área acadêmica ou profissional.
  • Consegue interagir com falantes nativos sem muitos problemas.
  • Tem condições de falar sobre vantagens e desvantagens de um tópico.
  • Produzir textos mais detalhados sobre vários assuntos.

C – Proficient User  (Usuário proficiente)

 

C1- Effective Operational Proficiency

Neste estágio, você é capaz de:

  • Interpretar textos mais longos e complexos, mesmo que tenham um sentido implícito.
  • Expressar-se claramente, sem procurar palavras ou expressões.
  • Usar o idioma facilmente para situações sociais, acadêmicas, diárias e profissionais.
  • Escrever textos claros, detalhados sobre temas complexos.

C2- Mastery

Neste estágio, você é capaz de:

  • Compreender quase tudo o que ouve e lê.
  • Condensar informações, fazer relatos e reconstruir textos de forma eficiente.
  • Falar e se fazer entender de forma eficiente, fluente e precisa.

 Para saber mais: www.coe.int

Por Marianne Rampaso

 

Qual inglês é melhor? Americano ou Britânico?

Antes de falarmos de inglês, temos a seguinte pergunta: Qual português é o melhor, mais correto? O português falado em São Paulo, na Bahia, no Pará ou no Rio Grande do Sul? Surpresa! Nenhum deles é melhor ou pior. Se pensarmos nas questões culturais e de colonização, veremos que, apesar de estarem em um mesmo país, falando um mesmo idioma, esses estados são completamente diferentes… Já pensou no que ocorre com um mesmo idioma falado em países ou continentes diferentes, por povos e culturas tão diversas?

O idioma sempre será influenciado, dentre outras coisas, pelas condições culturais locais. Os padrões linguísticos do inglês americano, australiano, britânico, americano, canadense, etc. são diferentes, mas não melhores ou piores… Podemos até gostar de um ou de outro sotaque, uma mera questão de preferência, mas daí rotular como certo ou errado é uma séria questão de preconceito, prejudice, como dizemos em inglês.

Certa vez, vi uma pessoa ser corrigida por um professor ao escrever a palavra traveling. No inglês britânico, essa palavra é grafada com dois ‘éles’( travelling), no americano, com apenas um. O professor em questão sinalizou que a forma correta era a britânica, a outra, caipira. Só Deus sabe de onde ele tirou essa ideia. Talvez porque a pronúncia do inglês americano lembre um pouco o sotaque do pessoal do interior de São Paulo. Mesmo assim, nada tem a ver com ospelling, a grafia da palavra. Não há nenhuma base linguística ou científica apregoando que determinado inglês é certo ou errado, caipira ou culto…

 É uma questão de percepção de diferenças culturais, de qualificação e de responsabilidade de cada professor esclarecer que existem formas diferentes, padrões diferentes de inglês – ou português – e que não há nenhum erro ou forma caipira nisso. Afinal de contas, vivemos em uma época de uso do idioma e de suas variantes como língua internacional.

 Para saber mais:

BROWN, H. Douglas.Teaching by Principles – An interactive Approach to Language Pedagogy. Longman, 2001.

BAGNO, Marcos. Preconceito Linguístico – o que é, como se faz. Edições Loyola, 2008

Por Marianne Rampaso


Motivação para aprender idiomas

Ah! Não tenho mais motivação, estou desmotivado, vou parar de estudar inglês….

 

Quantas e quantas vezes você já não ouviu – ou disse isso?. Uma perguntinha, digamos, básica: Para que você aprende inglês? Afinal, só podemos estar desmotivados quando o nosso objetivo em realizar algo não é atingido. Não é assim na empresa? Na faculdade? Achei que aquele curso na faculdade ou treinamento na empresa iria me ajudar com a tarefa tal, mas isso não ocorreu…

Então você concorda que havia uma tarefa, um objetivo que você gostaria de atingir. Será que com o aprendizado de línguas não ocorre a mesma coisa?

Quando se fala do processo de ensino-aprendizagem de uma língua estrangeira, podemos encontrar duas situações distintas: a necessidade de comunicação (motivação instrumental) e os motivos de enriquecimento cultural, de gosto, de prazer (motivação integrativa).

 Falaremos aqui, obviamente, do primeiro tipo de motivação (instrumental), a mais comum. É a necessidade de aprender inglês por motivos de trabalho e/ou estudo. E aí vem a voz do aluno, que, sabiamente, diz: “Não consigo conectar aquilo que estou aprendendo ao meu trabalho, é o mesmo the book is on the table dos tempos de escola, é sempre a mesma história… Acho que sou eu que não sirvo para línguas mesmo…” Como assim? O fato de não conseguir conectar o que se aprende à vida real nada tem a ver com aptidão ou inteligência, mas sim ao que se ensina/aprende e para quê se ensina/aprende. Ninguém, em sã consciência, irá supor que um executivo ficará motivado ao aprender preposições cantando ou colorindo as directions indicadas para isso… Ou então um aluno teen aprendendo a discutir gráficos de vendas…

 E a aplicação real? E o trabalho dessa pessoa, no caso do aluno adulto? Afinal, ele aprende inglês para usá-lo como ferramenta de trabalho, não como algo etéreo, desconectado do mundo real. Como aprendizes adultos, só aprendemos aquilo que é significante, que faz sentido para nós.

Não é de se estranhar que muita gente diz não gostar de inglês, que logo perde o pique, fica frustrado, desmotivado… Ainda mais quando precisa aprender o idioma por um motivo que, quase sempre, não está relacionado a questões de gosto pessoal. É claro que também não se exclui a segunda parte daquela velha e boa fórmula:

Conteúdo significante, de acordo com a vida real + participação e comprometimento do aprendiz.

 Para saber mais:

LIGHTBROWN, Patsy M. e SPADA, Nina. How languages are learned. Oxford University Press, 2006.

BOCK, Ana M. B, FURTADO, Odair e TEIXEIRA, Maria de Lourdes Trassi.Psicologias – Uma introdução ao estudo da Psicologia. Editora Saraiva, 2005.

Por Marianne Rampaso

 

Professor nativo é melhor?

     Once again… Depende! O que você diria se eu lhe pedisse agora para explicar todos os usos da crase? Susto?! Não se você for professor de português, é claro!!!

   Desta forma, como se pode assumir que um falante nativo de qualquer idioma conheça todos os aspectos da língua e esteja apto, mesmo sem treinamento próprio, a lecionar a qualquer tempo? Difícil, não?!

   Há professores nativos bons assim como há professores brasileiros bons. A questão é qualificação e treinamento. Aposto que você não iria a um médico que não tivesse adquirido conhecimento formal da medicina, por mais que ele pareça entender disso. OK, ninguém vai enfrentar risco de morte por não ter aprendido da forma adequada, mas pode, muito bem, perder uma oportunidade de emprego…

A questão é saber se a pessoa recebeu informação suficiente para lidar com questões muito mais complexas do que conhecer somente o idioma e seu uso social. Trabalhar com aprendizagem implica conhecer como os outros aprendem, as teorias psicológicas que permeiam o ensino da língua estrangeira, os mitos relacionados ao ensino e aprendizagem de uma língua estrangeira e por aí vai…

Caso contrário, há o risco de passar ao aluno informações já ultrapassadas, desencontradas, que não fazem mais sentido na aprendizagem moderna ou, simplesmente, não saber o que fazer na sala de aula. Quer um exemplo?

 Há anos, uma pessoa contratou um professor nativo para aulas. O intuito era estar preparado para receber alguns visitantes e lidar com essas pessoas no período em que estivessem no país. No dia marcado, o professor apareceu com um texto sobre… beisebol. Imagino que essa pessoa teve boa intenção ao ser informado de que o aluno teria que lidar com alguns estrangeiros em um relacionamento social. Só que ele não sabia que beisebol não fazia parte do contexto em que o aluno estava inserido… Ele não era professor, nunca tinha lecionado, logo não sabia como proceder, apesar de ser falante nativo. Culpa dele?Não!!!

   Eu sequer tenho noção do que ocorre em uma área financeira, pois não tenho formação na área, nunca trabalhei com isso. Se tiver que instruir alguém, certamente farei bobagens, mesmo que tenha a melhor das intenções… Desta forma, concordo plenamente com aquele adesivo que sempre estão nos carros “Consulte sempre um advogado, médico, engenheiro, nutricionista, etc”. Afinal, esses profissionais sabem o que estão fazendo, uma vez que foram qualificados para isso. Não deveria ocorrer o mesmo com o professor de inglês, seja ele nativo ou não? Pense nisso antes de escolher com quem terá aulas!

   Por Marianne Rampaso

 

Falaremos chinês – e não inglês – no futuro?

          Antes de iniciarmos a nossa conversa, dê uma olhada em uma previsão realizada por Graddol (British Council- 2006) para o ranking das línguas mais faladas no ano 2050:

Línguas com maior número de falantes:

  • Chinês (provavelmente mandarim ou putonghua, duas línguas faladas na China)
  • Hindi / Urdo (Índia e Paquistão)
  • Espanhol e Árabe

          Onde está o inglês? Assumimos, como medida real do uso de uma língua, o número de falantes no geral e não apenas os falantes nativos. No caso da língua inglesa, consideremos o seguinte: número de falantes nativos+ número de falantes que têm o idioma como segunda língua+ número de falantes que usam o inglês como língua estrangeira. É muita gente! Mais falantes do que o chinês…

          A classificação de um idioma como língua global está atrelada principalmente a fatores econômicos. Foi assim com o latim, com o francês, agora – e pelos próximos 50 anos, conforme os especialistas – o inglês.  Se considerarmos o momento atual, poderemos verificar que a língua inglesa é a língua da ciência, da tecnologia, dos negócios e do mundo acadêmico. Noventa por cento das publicações de artigos acadêmicos é realizada em inglês. Isso não significa dizer que o idioma pertence a este ou aquele país. Languages have no borders (Os idiomas não têm fronteiras). Também sequer diz respeito a deixar de aprender o chinês, espanhol, francês, etc. Além de uma excelente academia para nossos neurônios, o aprendizado de idiomas proporciona enriquecimento cultural, interação, entendimento e tolerância em relação a outras culturas.

Para saber mais:

GRADDOL, David. English Next-Why global English may mean the end of English as a “foreign language”. British Council, 2006

www.britishcouncil.org/learning-research-english-next.pdf

NUNAN, David,.What is this thing called language?. Palgrave- Macmillan, 2007.

Por Marianne Rampaso