Lí­ngua Materna x Lí­ngua Estrangeira

Será que a nossa língua materna tem que estar isolada do aprendizado da língua estrangeira?

Sorry, that’s  impossible…A nossa língua materna influencia sim e não há nada de errado neste processo. O que nada tem a ver com “falar português o tempo todo na aula de inglês”. Estamos falando em nível cognitivo, de raciocínio, de aprendizagem.

Assim, é importante considerarmos que o aprendizado de uma língua estrangeira não é um ato mecânico: é um processo que envolve formulação de hipóteses, regras e padrões da primeira e da segunda língua, mais tudo isso junto! Não há como pedir ao nosso cérebro que esqueça o português. Além disso, é ótimo que não o possamos fazer, pois, no caso dos aprendizes adultos, já sabemos que trazem certo conhecimento linguístico adquirido no próprio processo de letramento na língua materna.

Todos nós, mesmo que não saibamos inglês, somos capazes de diferenciar uma receita de bolo de um relatório de negócios. Mesmo que seja pela representação gráfica das palavras, ainda que não entendamos o significado, é possível reconhecer que tipo de texto é aquele e em que situação ele poderia ocorrer. Afinal, ninguém espera ver uma receita de bolo em uma reunião de negócios… Sabemos, como aprendizes experientes de nossa língua – sim, já somos experts em português aos 4 ou 5 anos de idade – que tipo de texto poderemos encontrar em certo meio ou situação social. A isto chamamos de gênero.

Quem vai ao médico já sabe que ele usará um receituário. Quem vai até uma escola para fazer um teste de inglês, já espera uma prova. Não precisamos “avisar” a pessoa disso. Da mesma forma, podemos e devemos tirar proveito do conhecimento de mundo que o adulto já traz, e, além disso, estimulá-lo a usar este conhecimento no aprendizado de outro idioma.

Para saber mais:

BROWN, Douglas H. Teaching by Principles. Second Edition, 2001.Longmann

BAZERMAN, Charles. Gêneros textuais, tipicação e interação. Terceira edição, 2009. Cortez Editora

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