É muito difí­cil ler em inglês…

Vamos lá, partiremos do princípio básico: sabemos ler. Fazemos isso o tempo todo na escola, no trabalho, em nossa vida diária. Lemos relatórios, livros, revistas, bulas de remédio, rótulos de produtos, artigos em site, itinerários de ônibus, orientações em manuais, e-mails, blogs e muito mais. A leitura é uma prática em nossa vida diária, quer estejamos conscientes disso ou não.

Será que, ao lermos, somente juntamos uma letra a outra, formando palavras, daí orações, períodos, trechos e textos? Ou lemos baseados na previsão de sentido de um texto? Uma bula de remédio é uma bula de remédio e ponto. Ninguém precisa ser médico e nem especialista em leitura para prever o que virá escrito. Podemos até não entender a especificação técnica, mas ninguém espera ver coisas como “retire do forno após assado” em uma bula. Pela nossa própria vivência, conhecimento de mundo, já sabemos o que esperar de um texto desses.

O texto, na verdade, nos traz algumas dicas, alguns indicadores que nos ajudam em sua compreensão. Querem ver? Ao ler um texto em inglês, você se depara com o seguinte: Green has left his stuff on the table and (…..). Identificamos de imediato que Green deva ser provavelmente o nome de uma pessoa. Olhe a letra maiúscula lá, sugerindo que se trata de um nome próprio. Se tivermos: his house was green, já sabemos que estão falando do elemento cor, uma vez que sabemos que green também se refere a um tom. Sinais, grafias em itálico, negrito, letra maiúscula, porcentagem nos dão uma boa dica na leitura. Chamamos isso de elementos tipográficos.

Quando vamos à banca de jornal e damos uma olhada rápida nas revistas, tentando achar uma que nos agrade, também praticamos uma estratégia de leitura, muito usada em língua estrangeira. É o que chamamos de skimming. Ou seja: passamos os olhos pelo texto para obter a ideia central, sem prestarmos atenção a detalhes. Se a revista realmente nos interessar, iremos mais a fundo, tentando identificar os artigos que nos interessam mais: buscaremos mais dados, informações, datas, nomes, números sobre o tópico que nos interessa. Essa é a técnica do scanning.

Você está lendo um artigo em língua estrangeira e de repente aparece a palavra chocolate. Não é preciso nenhum esforço para identificar o sentido disso, pois é uma palavra idêntica ao português, é uma palavra cognata. O mesmo pode ocorrer com information, baggage, test, etc.

Assim, ao lermos um texto em língua estrangeira, precisamos estar atentos a estas pistas e estratégias que nos ajudarão a compreender o que está escrito. Sem pânico.

Para saber mais:

LANZONI, Hélcio. Preparatório TEAP – Test of English for Academic Purposes.

TesePrime, 2009